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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Caminhada Musical em SP



Sai do estudio Gabia na rua 13 de maio e resolvi dar uma caminhada pelo bexiga, descendo a rua, lembrei de um grande amigo que mora ali na Conselheiro Carrão. Pedro Baldanza, o Pedrão, baixista de primeira e fundador da banda de rock progressivo O Som Nosso de Cada Dia. Há anos que não nos falávamos pessoalmente, e tivemos um ótimo e prazeroso bate-papo. Ele me mostrou alguns demos do Som Nosso, musicas de 30 anos atrás, mas que infelizmente nunca foram gravadas. E o que me deixou pasmo, foi a sonoridade e o swingue das musicas. E fora a hospitalidade do Pedrão, as curiosidades e historias que ele acumulou ao longo de uma vida como musico ajudaram a embalar nossa conversa, inclusive a origem da banda Black Rio.
Sai da casa do Pedrão feliz e resolvi esticar a caminhada, desci a 13 de maio inteira, cortei caminho pela Avanhandava, e descobri varias raridades em vinil num sebo que cobra apenas R$1,00 cada disco. Achei a trilha sonora do filme Expresso da Meia-Noite, feita pelo genial Giorgio Moroder, que assim como o Kraftwerk, foi um dos expoentes da musica eletrônica.
Continuei minha caminhada passando pelas grandes galerias, comprei uma camiseta do Stray Cats, uma do Ramones pro meu filho, quando sai das galerias, a chuva que insisitia em chuviscar resolveu desabar de uma só vez. Impossivel ir embora afinal estamos em São Paulo, e o simples ato de "ir embora para casa", com chuva pode transformar-se em uma verdadeira aventura urbana, e pra matar o tempo resolvi entrar no cine Olido. Mais um programa a R$1,00. Don't Look Back, o documentario sobre o inicio da carreira de Bob Dylan, Joan Baez comendo uma banana no carro e outras curiosidades históricas e musicais.
Acabou o filme, entro numa galeria na 24 de maio pra tomar uma cerveja que ninguem é de ferro, e encontro o Ronaldo e o Anselmo, guitarrista e baixista do Inocentes. Estavam indo ensair na casa do baterista Nôno. E entre conversas, e muitas risadas (Só quem conhece o Ronaldo sabe!) eu e o Ronaldo decidimos fazer uma noite de discotecagem juntos. E o nome será POGO BROTHERS! Dia produtivo como este é dificl. E tudo isto, numa simples caminhada pela minha amada São Paulo!!!!!!
Saúde e Sucesso aos músicos deste pais, que infelizmente são tratados como superfluos, como se a musica não fizesse parte de nossas almas!!!!!!
Junior Aragaki

domingo, 19 de julho de 2009

Estação MS - um conto de Junior Aragaki



Meu coração estava acelerado e eu suava frio. Estava com medo, medo de que os seguranças que estavam a porta, ou o dono, que conversava na calçada com alguns frequentadores, não me deixassem entrar naquele "templo" underground.
Há tempos eu estava obcecado em conhecer aquele lugar. Já estivera ali e fora barrado
por ser menor de idade, mas daquela vez seria diferente pois eu estava acompanhando a
principal atração da noite, a banda Inocentes. Era 1985, e a maior parte das pessoas não
sabem até hoje, mas o nome completo do lugar era Estação Madame Satã.
Para não ser barrado novamente, cheguei carregando a guitarra do vocalista Clemente, e
assim entrei pela primeira vez no Madame Satã. O lugar estava séculos a frente de seu tempo, e num país onde ainda ecoavam os porões da ditadura, era um verdadeiro oásis no meio do deserto cultural brasileiro.
o Madame Satã foi o ponto culminante da cultura punk e underground de São Paulo nos anos 80. E teve uma forte influência de alguns de seus predecessores e contemporâneos como Napalm, Via Berlin, Acido Plastico e Carbono 14.
Mas foi ali, naquele casarão tombado na esquina da rua Conselheiro Ramalho, que
aconteceream algumas das historias mais exdrúxulas e engraçadas da noite paulistana.
Seus personagens eram uma fértil mistura de punks, intelectuais, góticos, roqueiros, modernosos, jornalistas, musicos e todo tipo de boêmios e curiosos.
Passei rapidamente pelos seguranças e entrei um pequeno corredor de tapadeiras, todo negro e escuro, e saí num salão imenso, com alguns espelhos na parede e o nome Madame Satã escrito em neon vermelho. Do outro lado havia um palco com uns 140 cm de altura, um banheiro apertado do lado esquerdo do palco, e de frente para a entrada um enorme balcão de bar.
Ao lado do balcão havia uma porta pra famosa sala da cama, e ao lado desta porta uma escada que saia no porão/pista.
Mas o que mais me chamou atenção, foi a jaula pendurada acima de um mesanino com uma gorda enorme, nua, comendo repolho cru e fazendo caretas a noite inteira.
A inesquecivel mulher-repolho.
Ela fazia caretas e gritava, urrava como um animal. Fiquei atônito observando aquela cena, e tomei um enorme susto quando ela arremessou um pedaço repolho e começou a gritar, ameaçando me pegar. Sai correndo pro palco pra deixar o instrumento que carregava.
Desci a escada de metal, e sai num porão totalmente escuro, as paredes pintadas de negro e uma particularidade, a iluminação era composta por várias máquinas de lavar roupas, aquelas com uma janelinha de vidro no meio, e em cada maquina haviam luzes coloridas sequenciadas.
A cabine do DJ ficava a direita da escada, e de frente para a cabine tinha um outro palco quase na altura do chão, e atrás deste palco, a única parede branca do lugar, embora toda pixada e grafitada. Ao lado deste palco havia uma porta de madeira bem grande e cortinas. Quando esta porta estava aberta, encostada na parede, formava um espaço triângular com aproximadamente uns 80 cm, e era ali o motel para muitos casais mais afoitos. Entre esta porta e o palco haviam dois banheiros, o da direita masculino, o da esquerda feminino, mas isto pouco importava pois homens e mulheres usavam qualquer um deles. Entrei apertado no banheiro masculino, e enquanto me alivio, entra uma garota punk num puta visual, camisa branca com babados, kilt e coturno, e sem cerimonia alguma me pergunta se eu sabia quem era o vocalista da banda, já que tinha me visto entrando com a guitarra. Eu não sabia o que fazer, meio assustado e envergonhado, fechei o ziper, e disse que o vocalista era o Clemente, ela pediu que a apresentasse a ele. Enquanto isto, ela baixou a calcinha, levantou o kilt até os ombros e mijou agachada, sem encostar na privada, ali, na minha frente. Fiquei completamente desorientado, ela chegou perto de mim, pegou minha lata de cerveja, deu um gole, me agarrou pela nuca e me deu um delicioso beijo na boca e disse: - Prazer, sou a Gi. Mal consegui balbuciar meu nome: - Marcus Raiser, o prazer é meu.
- Quero muito conhecer este tal de Clemente. Disse ansiosamente.
- Mas ele ta acompanhado, a namorada dele é muito ciumenta e não to afins de me meter em nenhuma treta. Eu disse já prevendo que rolaria alguma merda naquela noite.
Ela deu um grito histérico, arrancou a lata de cerveja da minha mão e jogou no chão coberto de mijo, depois saiu furiosa do banheiro. Não entendi nada.
Saí do banheiro e fui para o terraço onde tinha uma escada para a sala da cama, e ficava o caixa/chapelaria, escrito em neon vermelho tambem.
Tomei um ar ali fora, depois subi para pegar mais uma cerveja. Na cama haviam varias pessoas deitadas, alguns dormiam pesadamente enquanto um casal se agarrava loucamente, beirando ao sexo explícito. Eles se exibiam para uma pequena platéia, formada por punks sentados no beiral das janelas.
Aos primeiros acordes dos Inocentes, todo mundo correu pra ver o show e pogar. Apesar do pogo ser uma dança violenta, com o tempo você aprende a se defender de eventuais porradas ou chutes, e a melhor maneira de se fazer isto, é pular como um pêndulo, usando os ombros e cotovelos para se proteger, e chutando sem parar.
Eu estava num canto, pogando e curtindo o show, quando sinto um chute na perna, como isto era comum, não me preocupei e continuei pulando, então tomei outra "coturnada". Quando me virei, era a punk maluca que me agarrara no banheiro, ela tentou me acertar novamente, mas pulei pra cima dela dando-lhe uma "ombrada", jogando-a pra longe. Ela veio gritando e tentando me arranhar, eu segurei seus braços e para não levar mais um chute, desta vez na canela, puxei-a pra perto de mim, travando seu corpo junto ao meu.
Enquanto se debatia pra livrar-se, ao mesmo tempo tentava me morder, até que escapou e novamente tentou me agredir. Sem saida lhe enfiei um tapa na cara.
Aí é que não entendi mais nada, ela passou a mão pela boca, sorriu, me puxou pela gola da jaqueta e começou a me beijar ardorosamente.
Ficamos juntos oito meses. Eu tinha 15 anos e ela 19.